O Sacramento da Extrema-Unção ou Unção dos Enfermos



É por meio dos Sacramentos da iniciação cristã (Batismo, Confirmação e Eucaristia) que o homem recebe a vida nova em Cristo. Esta vida nova e gloriosa, porém, mesmo os batizados, trazem oculto dentro de si, como “um Tesouro em vaso de argila”. Agora, esta vida está “escondida com Cristo em Deus”: estamos ainda em “nossa morada terrestre”, sujeitos ao sofrimento, à doença e à morte. - E à concupiscência e as tentações. - Assim, a vida nova de filho de Deus pode se debilitar e até ser perdida pela ação contínua do pecado.


O Senhor Jesus Cristo, Médico Supremo da alma e do corpo, que remiu os pecados do paralítico e restituiu-lhe a saúde física (Jo 5,1-18), quis que a sua Igreja continuasse, na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação também nos seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois Sacramentos de cura: Reconciliação e Unção dos Enfermos ou Extrema-Unção.


A Unção dos Enfermos é também um Sacramento de Reconciliação: mediante a oração e a unção com o óleo santo, feita pelo sacerdote, concede ao doente a Graça e o alívio espiritual, e muitas vezes também o conforto corporal. A Unção dos Enfermos concede a saúde da alma e, em muitos casos, também do corpo.


O óleo utilizado neste Sacramento é um dos óleos que o Bispo abençoa na Quinta-feira Santa. O corpo da pessoa ungida pelo Batismo é santo, pois por meio deste corpo ela comungou com Nosso Senhor Jesus Cristo. O Sacramento da Unção faz com os Enfermos tenham forças para testemunhar Jesus Cristo em meio ao sofrimento que passam, unindo-se à Obra redentora do Filho de Deus.


Quem pode receber a Unção? Os fiéis que se encontram em perigo de morte, por doença ou velhice. O mesmo fiel pode recebê-la outras vezes, se houver um agravamento da doença. A celebração desse Sacramento deve ser, preferivelmente, precedida da confissão individual do doente.


Para receber a Unção dos Enfermos é preciso, se possível, confessar os pecados ao padre, e recebê-la com fé, esperança e com a aceitação da Vontade de Deus.


Os sinais sensíveis da Unção são a oração e a unção que produzem a Graça, e são ministrados pelo sacerdote. A matéria usada na unção é o azeite de oliveira ou outro óleo de extração vegetal, que é abençoado na Quinta-feira Santa.


O sacerdote unge a pessoa na fronte e nas mãos, com o óleo devidamente benzido, dizendo uma só vez: “Por esta santa Unção e pela sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a Graça do Espírito Santo; para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua bondade alivie os teus sofrimentos. Amém.


A doença faz parte da vida, mas é sempre uma experiência dolorosa: ela enfraquece, baixa o moral e revela a impotência humana, nossos limites e a fragilidade das nossas vidas. Em certo sentido, toda doença nos coloca diante da realidade da morte. E há muitos modos de enfrentar a doença: pode-se vivê-la com amargura, com revolta e espírito derrotista, ou pode-se vivê-la com amadurecimento, fé e oração. Para um fiel católico, a doença pode ser um meio de participar da Paixão do Senhor, em benefício de toda a humanidade.


Assim age o Sacramento: o óleo é símbolo da Graça do Espírito Santo, Espírito de força e consolação (Ele é o Paráclito Consolador). É o Espírito do Cristo Ressuscitado, e dá ao enfermo força para fazer de sua doença um modo de participar da Paixão do Senhor.


Desse modo, a doença é vivida com um sentido positivo, pascal, salvífico: o privilégio de participar da Cruz do Senhor, para com Ele chegar à Glória da Ressurreição. Triste na vida não é sofrer, mas sofrer sem ver sentido no sofrimento. O Sacramento da Unção dá um sentido cristológico, um sentido santo à doença. A debilidade humana é transfigurada em Cristo, assume aspecto de força na fraqueza e dá ao enfermo a serenidade de saber que seu calvário terminará na Ressurreição!


Jesus não somente curou os enfermos, como sinal da chegada do Reino de Deus, como também ordenou que seus discípulos fizessem o mesmo (Mc 6, 7ss; 16, 17s; Mt 10, 8). A Tradição da Igreja, desde os primeiros tempos, reconheceu neste gesto um dos sete Sacramentos. No entanto, o Senhor é soberano para conceder ou não a cura. Às vezes, nem a oração mais insistente a obtém. São Paulo, depois de muito pedir, recebeu do Senhor a resposta de que bastava ao Apóstolo Sua Graça, pois na fraqueza aperfeiçoa-se a Força de Deus. Ninguém pode “forçar” Deus a realizar um milagre de cura. Deus é soberano e sabe o que é melhor para nós!


A Igreja busca cumprir a ordem de curar os doentes dada por Cristo, cuidando dos enfermos e intercedendo por eles na oração, com fé na Presença vivificante de Cristo, Médico do corpo e da alma. Ele está presente sobretudo nos Sacramentos e, de modo especial, na Eucaristia.


Quando tivermos alguém da família com uma doença muito grave, devemos rezar para que ela queira chamar o sacerdote, para que faça uma boa Confissão e receba a Extrema-Unção ou Unção dos Enfermos. Não devemos ter medo de ver um padre entrar na casa de um doente, ao contrário: ele não traz a morte, como muitos ignorantes pensam, mas sim a vida, - e a vida eterna!, - que é a Presença de Jesus na alma do doente. Com a Graça de Deus no coração, o doente muitas vezes recupera as forças físicas, mas se não for o caso recupera o mais importante: as forças da alma; passa a rezar e a se preparar para ir para o Céu. É verdade que a morte é muito triste, mas também é verdade que é pela morte que vamos para o Céu, para a felicidade que nunca se acaba e para ver a Deus na Plenitude. Graças a Deus!






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Fonte: https://www.ofielcatolico.com.br/2001/03/o-sacramento-da-extrema-uncao-ou-uncao.html

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